Sapador florestal de profissão, Maximiano Teixeira da Costa é um dos mais jovens autarcas do concelho. Prestes a completar a primeira legislatura, revela-nos nesta entrevista que voltará a sujeitar-se ao escrutínio do eleitorado, mantendo a sua equipa praticamente inalterada, afinal a única forma de saber se o trabalho do seu executivo agradou a quem nele confiou há quatro anos.
Com o plano de acções para este mandato ainda incompleto, o nosso interlocutor refere que até ao final de 2005 dar-se-á a concretização de muitos dos projectos entretanto desencadeados.
Como ganhou as eleições num terreno historicamente associado ao PSD?
É um facto que a Junta era PSD há 16 anos consecutivos. Nas últimas eleições as duas listas eram novas porque o anterior presidente não se recandidatou. O eleitorado poderá ter resolvido apostar na juventude. Para além disso penso que simpatizaram com as nossas ideias. Ganhámos por 21 votos, o que numa freguesia pequena como a nossa é alguma coisa.
A recandidatura às próximas autárquicas é já ponto assente?
Sim, basicamente com a mesma equipa que me acompanhou neste último mandato. O executivo e a Assembleia de Freguesia mantêm-se praticamente inalterados. Gostaria de realçar todo o acompanhamento e apoio que tem sido prestado pelos restantes elementos do executivo (secretário e tesoureiro). Têm-se revelado extremamente participativos em todas as actividades que desenvolvemos. Verdadeiramente, formamos uma equipa.
Está confiante que os eleitores premiarão o trabalho?
Claro que estou confiante. A falta de confiança é meia derrota. Mas não podemos dar-nos já por vitoriosos.
A forma que temos de saber se gostaram do trabalho que desenvolvemos é recandidatar-nos. Dessa forma, estamos a dar aos eleitores a possibilidade de validarem a nossa obra.
Faz um balanço positivo destes últimos quatro anos?
Certamente que sim. Algumas obras ficarão por fazer, de qualquer modo temos muitos trabalhos em curso, já adjudicados (prontos para começar) e outros prestes a serem entregues.
De entre os principais trabalhos realizados neste mandato, gostaria de falar da remodelação do cemitério, que incluiu o arranjo dos muros e dos passeios e a colocação de uma pedra mortuária.
Para além disso, foi feita a Estrada da Igreja; na Giesteira, asfaltámos o caminho, fizemos um muro de suporte em duas fases e colocámos iluminação. No interior do lugar resolvemos pavimentá-lo com cubo e fizemos um largo para permitir com maior facilidade a manobra das viaturas.
O Caminho de Vides ao Corelo foi alargado e pavimentado. O caminho de acesso à sede da Junta e a outras habitações foi igualmente pavimentado.
Realizámos o calcetamento do adro da Igreja e o alargamento da entrada para o adro com a colocação de dois pilares.
O único lugar que não tinha ainda rede de abastecimento de água era Chã de Lamas, trabalho que está neste momento a ser concluído, faltando depois colocar cubo nas bermas e arruamentos. Nesse lugar estamos a iniciar a instalação da rede de saneamento. A seguir, pretendemos alargá-la aos restantes lugares da freguesia.
Beneficiámos vários caminhos agrícolas, esperamos receber apoio do programa Agris para o melhoramento dos caminhos da Giesteira e da Aldeia. As candidaturas estão prontas, faltando agora a aprovação dos projectos.
Juntamente com a Junta de Agricultores de Chã de Lamas, candidatámo-nos à beneficiação das levadas nesse lugar.
O parque de merendas que fizemos no monte do Crasto é um miradouro privilegiado, precisando de árvores maiores para sombrear o local. Tem água, assador e mesas com bancos.
Junto à sede arranjámos o jardim, fizemos uma rampa para deficientes e procedemos à pintura exterior do edifício.
Concorremos e fomos contemplados pelo projecto de modernização imobiliária e informática (fotocopiadora, computador, impressora, scanner, mobiliário diverso e material para a instalação da biblioteca que está a funcionar no edifício). Temos também um site na Internet.
Na biblioteca temos já alguns livros e pedidos de requisição dos mesmos.
Cumpriu o plano de acções que prometeu ao eleitorado?
Ainda não. Estamos à espera que até ao final do mandato seja feita a construção de quatro fontanários (lugares da Aldeia e de Belide) e de oito lavadouros públicos, espalhados pela freguesia.
Outras obras estão igualmente para breve: alargamento e pavimentação do Caminho do Corelo à Branda e a pavimentação do Caminho do Penedo do Chapéu ao Chão Longo.
O alargamento e a pavimentação do Caminho do Paço está em fase de concurso. O arranjo do Largo da Junta, através do PICTUR vai permitir instalar um parque infantil homologado atrás do edifício, um parque de merendas perto do carvalhal aí existente, parque de estacionamento e uma pista para jogos tradicionais. Iremos depois pavimentar o espaço que vai do largo ao Polidesportivo. Neste projecto está ainda prevista a construção de bancada e electrificação da referida instalação desportiva.
Consideramos que a electrificação do polidesportivo é uma prioridade porque temos muitos jovens que praticam habitualmente futsal. Neste momento, deslocam-se semanalmente para a vila onde realizam os treinos. Os balneários estão em marcha.
Um outro projecto que temos em concretização permitirá a modernização administrativa do edifício da sede da Junta, que contará essencialmente com isolamento térmico, pintura de interiores, painel de azulejo, estrado em madeira e substituição do piso actual por um piso flutuante.
Ainda este ano, prevemos a colocação de sinalética e a fixação de contentores em toda a freguesia.
Tem tido dificuldades na concretização de todos estes projectos?
A questão não é nova. Todos temos escassos fundos para concretizarmos aquilo que gostaríamos de realizar.
A nossa grande luta sempre foi a Chã de Lamas e agora vemos as situações a serem resolvidas. Contamos que no final de Setembro os trabalhos estejam concluídos.
PREVÊ AUTARCA DE VASCÕES
Chã de Lamas criará postos de trabalhho
Aproveitámos também a oportunidade para questionarmos o nosso interlocutor sobre as suas apostas para o quadriénio que se avizinha, falando de alguns assuntos caros para os locais, como a questão da rentabilização do Centro de Interpretação de Chã de Lamas, entretanto instalado naquele lugar da freguesia!
Em caso de reeleição, quais as suas prioridades para a freguesia?
O caminho que liga Aldeia às freguesias de Parada e Bico. Gostaríamos de alargar e pavimentar esse troço, de qualquer modo temos sempre que levar em linha de conta a vontade das pessoas, que nem sempre coincide com a nossa.
Pretenderemos igualmente proceder à realização de obras que já não será oportuno fazer este mandato: pavimentação do Caminho da Igreja a Belide, arranjo do Caminho de Roças, do Caminho do Cemitério a uma poça das Pardacinas e do largo em frente à Igreja; no caso de haver entendimento com a Confraria do Santíssimo, gostaríamos que a Igreja Matriz, muito pouco utilizada fosse reaproveitada para servir de Casa Mortuária. Nesse caso, colocaríamos bancos, WC e um corta-vento.
Outras prioridades serão a pavimentação do Caminho da Veiga ao cemitério, a beneficiação de vários caminhos florestais e agrícolas; a concessão de apoio à Associação local e à juventude nas suas iniciativas; a remodelação da rede eléctrica em quase toda a freguesia, mudando todas as instalações para cabo e outros trabalhos no cemitério como a compartimentação das campas e a numeração das lápides existentes na parte antiga.
Uma questão importante com a qual queremos avançar é a florestação de montes baldios, parcelas que não estão ainda bem definidas. De qualquer modo, será sempre nas partes mais altas da freguesia, naqueles locais que não tenham utilidade para outros fins e que possam ser rentabilizados com a plantação de várias espécies de árvores.
Finalmente, é igualmente fundamental para a freguesia a construção dos dois loteamentos que temos previstos para o monte da Liboreira e para o monte do Crasto, entre o Chão Longo e Patinhas.
Disse-nos que está para breve a conclusão dos trabalhos de requalificação da Chã de Lamas. Quais as actuais potencialidades do local para a freguesia?
É uma mais-valia tanto para a freguesia como para o concelho. A instalação do Centro de Interpretação Ambiental é uma oportunidade para a criação de alguns postos de trabalho. Ainda não sabemos exactamente quais as valências que funcionarão no Centro, de qualquer modo, existirá sempre a possibilidade de termos pessoas na freguesia, mas também no concelho com habilitações suficientes para os cargos a desempenhar.
A quem coube a criação do Centro?
Tratou-se de uma iniciativa da Câmara, que contou sempre com o nosso apoio. Não podíamos deixar escapar a oportunidade de reconstruir dois edifícios devolutos com grande importância histórica para a freguesia: a Escola Primária e a Casa do Professor. Foi ainda feito outro edifício de raiz, que terá refeitório e camaratas para dormida.
Também está previsto o aproveitamento pedagógico e turístico do local, prevendo-se a concepção de um espaço destinado a conferências. O objectivo será a manutenção da traça original do espaço e o seu reaproveitamento de um modo que conservará a sua importância nos tempos actuais, só que de outra forma.
O arranque deste projecto permitirá, pois, dar uma vida renovada a um lugar que tem ainda muitos residentes (a maioria das pessoas já com idades avançadas).
[09-08-2005 - 18:44] [José Miguel Nogueira]
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