Cá estamos quase perto das férias e constato que há muita gente a precisar delas. O Queiroz com os 800.000 euros do prémio, da grande campanha que fizemos no mundial, é que parece que vai lá ficar a bronzear-se por muito tempo.
Quem também queria ir, era o Paulo Portas, que parece querer deixar as feiras. Como é um homem, amante das coisas populares, aconselhou o Primeiro-Ministro a abandonar o tango e a adoptar o malhão, que torna possível que todos dancem, ao mesmo tempo, e com vários pares. Quer ser governante porque já o foi, com grande sucesso, pensará o mesmo. Lembram-se do seu governo? Portucale, submarinos, fotocópias, Jacinto Leite Capelo Rego… entre outras miudezas.
Está tudo muito mau, muito mau, mas todos querem ficar. O país é, para a maior parte, uma coisa abstracta. Em primeiro lugar aparece o poder, o partido, o devaneio do jogo político e as manchetes dos jornais. Essa coisa do país não interessa, o que realmente interessa é a estratégia política. Sócrates luta por todos os meios para vender caro o seu lugar e, se conseguir sobreviver, os outros que se cuidem. As alternativas do PS que estão à espreita, somente esperam que o “animal feroz” fique ferido e debilitado para atacarem. Mas parece que vão ter de esperar. Até o Passos Coelho percebeu isso, como não tem a coragem para assumir, porque a cobardia dos seus assessores diariamente o informa que seria um suicídio. Assim, levita, gravita, espera, fala o amarelo que não é grande cor, corta o cabelo, muda de gravata e, como não tem grande coisa para dizer ao país: vai dizendo umas larachas como o alargamento dos anos de mandato para o governo e o Presidente. Chega, inclusivamente, a dizer que este não seria o momento de mudança de governo porque isso seria criar instabilidade politica que seria desastrosa para o país. Já estou a ficar comovido.
Enfim, parece que este “rambe rambe” é a sina da política portuguesa: o poder nunca se ganha, os outros é que o perdem. Falta energia e vontade na política que, depois, também se espalha pela sociedade e pelo país. O país, essa abstracção lembrada no 25 de Abril e no 10 de Junho, que deveria ser um tempo para se falar no futuro, não passa de uma ocasião para o Presidente da República enviar recados, que apenas servem para os jornalistas, da SIC-Noticias, da RTPN, da TVI24 e do Expresso, onanizarem-se. Depois de almoço, já se esqueceram do que falaram; os jornalistas, esses, continuarão, até ao fim do dia, a chuchar os ossinhos.
Neste mundinho de calculismo, à moda do Queiroz, Alegre faz um esforço épico para encontrar o caminho. Um dia até parece que tem um discurso acertado, no outro dia vai tudo por água abaixo. Imagino a ginástica intelectual que deve fazer para amealhar votos – quer assumir-se como candidato do PS, mostrando, ao mesmo tempo, o socialismo revolucionário do BE, sem, entretanto, se esquecer de piscar o olho ao PCP e sorrir para alguns quadrantes de Direita. Não sei se o seu cérebro não acabará por se fundir com tanta hesitação e tanto sincretismo ideológico. O que eu sei, é que o seu discurso é uma autêntica confusão ideológica que ninguém percebe. Eu já desisti e já toda a gente percebeu que a sua candidatura é de tanta gente que acaba por não ser de ninguém. Não terá nenhum assessor que lhe diga para sair desta seara interminável de confusão. A estratégia que tem seguido é um autêntico equívoco, um perfeito desastre.
Por último Cavaco, “a reserva moral da nação”, passa a vida num contínuo tic-tac. Há muito tempo que não vive politicamente. Preso no labirinto da sua grandeza, considera que o país sucumbirá se for embora. Hoje apenas sobrevive graças ao seu inferno de boas intenções. Num dia, numa das suas visitas aos pobrezinhos, que tanto ama, diz que a situação é insustentável, no dia seguinte, num encontro com jovens de sucesso, escolhidinhos a dedo, já é capaz de afirmar com grande confiança que acredita no futuro do país. E com o país a precisar de remédio parece que ninguém acerta com a medicação. Dependendo do estado de espírito do prescritor, e dos dias, tanto pode receitar “Xanax” como “Nozinan”. O doente vive, pois, entre a tristeza mais triste e a alegria mais exaltante, que faz lembrar a estabilidade emocional do Cristiano Ronaldo.
No meio de tantas vuvuzelas da “Realpolitik”, temo que daqui a pouco não saibamos para onde caminhar, nem como subtrair a este tempo de angústia o futuro. Um primeiro passo: seria bom que os chamados actores políticos passassem a ser pessoas reais porque aí perceberiam que mais importante que as estratégias políticas, são as pessoas reais e, sobretudo, aquelas que estão desempregadas porque essas é que sabem qual é o verdadeiro sentido da crise.
[20-07-2010 - 10:06] [VITOR PAULO PEREIRA]
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